Archive for the ‘Pele – Lazer’ Category

Fez agora um ano (27 de Março), que inaugurei este blog. Na altura apenas sabia que queria partilhar pensamentos e que havia muita coisa relativa ao meu passado que gostava de deixar escrito. Aliei a isso a vontade de escrever algumas coisas que pudesse, no futuro, vir a ser pistas para a minha filha sobre quem é o seu pai e parti para a aventura a que dei o nome de O Corpo Fala, porque sentia que era exactamente isso que eu queria que acontecesse, que o meu corpo falasse, não apenas o cérebro, mas todas as outras partes que por vezes relegamos para segundo plano quando se trata de nos exprimir-mos.

Não fiz qualquer tipo de futurologia sobre o tempo e o caminho que o blog ia levar, mas fui continuando, sempre com prazer a colocar posts, e cheguei quase aos 500 (485 para ser mais preciso). Este ano que passou foi, não adianta tentar esconder, um dos mais difíceis anos da minha vida relativamente a várias questões pessoais e profissionais, não quero outro assim, garanto! Mas ter o blog ajudou-me, vou mesmo mais longe e assumo que O Corpo Fala, cumpriu, entre várias funções, uma função terapêutica. Ajudou-me a reflectir sobre o que ia sentindo, ocupou-me a mente com coisas boas quando em redor tudo parecia desmoronar, obrigou-me a desenvolver uma rotina que me impediu de ser completamente letárgico em vários períodos, e mais ainda, ao escrever sobre certos temas e emoções, fez com que eu as conseguisse “digerir” melhor e com que a minha organização mental por vezes abandonasse o caos em que estava enfiada.

Para além de tudo o que já referi, O Corpo Fala ainda me deu um bónus (bastante grande), que foi ter chegado a outras pessoas, ter conseguido por via dele comunicar com amigos e familiares de uma forma que só a leitura de alguns posts, por parte deles, permitiu. Bem sei que este blog não é um recordista de visitas, mas para mim foi uma verdadeira surpresa a adesão que teve, entre amigos e amigos de amigos, fui recebendo um feedback que me animou. Obrigado a todos os que contribuíram para isso, acho que de certa forma me aproximou de algumas pessoas, o que per si já é um enorme feito.

E a cereja no topo do bolo é que me ajudou a melhorar a minha comunicação escrita, onde muito está ainda por corrigir, mas onde muito já foi conquistado neste ano.

Mas…

Tudo tem o seu tempo, é uma verdade a que este blog não consegue escapar, e agora sinto que chegou a hora de deixar de ter uma visão que foi em muito assente na reflexão sobre o passado e as influências dele na actualidade, fossem essas nostalgias geradoras de posts sobre música, filmes, livros, situações vividas, etc.

Agora apetece-me escrever centrado no presente, olhar para o dia a dia e tentar aí apanhar um vislumbre do que pode estar para vir. Vou sentir à mesma vontade partilhar descobertas de filmes, livros ou discos, de criar pequenas histórias criadas a partir desse futuro imaginado e deste presente vivido. Vou escrever apontamentos à laia de diário e continuar a reflectir sobre o que me rodeia, o que muda é a sensação de nostalgia que percorreu grande parte dos posts deste blog, que será substituída (assim espero e desejo), por uma sensação de tempo presente. Para isso criei um novo blog a que dei o nome ACENO (aceno.wordpress.com), porque acenar é um gesto que me faz sentir feliz, é algo que chuta a indiferença e mantém o contacto e porque pode ser um gesto bonito e gracioso. A partir de hoje o Aceno será a minha principal forma de comunicação via  internet, deixando O Corpo Fala ficar num lugar mais escondido, onde só virei esporádicamente, colocar um post que sofre de nostalgia aguda.

Por isso não este post não é bem um adeus mas um até sempre. O Corpo Fala, mas agora menos, porque quer Acenar mais.

Não podia fechar este post de outra forma, aqui partilho uma das músicas que mais invoca em mim o sentimento nostálgico. “Time Has Told Me” do grande, grande, grande Nick Drake. OBRIGADO

Anúncios

Vulgarizado pelos acidentes noticiosos, a sua queda passou despercebida. Esquecida e ignorada foi como se apenas ele a tivesse vivido. Nunca as dores foram tantas, o seu corpo pedia-lhe os maiores cuidados, numa luta desgastante todo ele corria para acalmar quantas dores conseguisse, nunca sendo capaz de cuidar de todas. Desistiu e deixou-se ficar quieto, esperando que o tempo aliviasse e resolvesse todas as fracturas.

Deitado olhava para as coisas como se estas fossem capazes de o entender e de perceber o seu sofrimento, escondido no seu silêncio. Um copo adivinhava-lhe a tristeza, uma lâmpada apontava-lhe a angústia e todos os objectos lhe reconheciam o cansaço. Em vez de os odiar pela capacidade para o desmascarar, ele tinha-lhes afecto. Funcionavam como companheiros desta viagem, sempre dispostos a partilhar mais uma paisagem, mesmo sabendo que essa paisagem era sempre o seu rosto. O relógio, o mais irrequieto de todos os objectos, ia a vinha enquanto o seu olhar se demorava na maçaneta da porta. Queria que ela se mexesse, que os sinais de vida do exterior se materializassem naquela maçaneta. O seu olhar raramente se desviou dela até que exausto, deixou de acreditar na possibilidade dela alguma vez se mover e fechou os olhos. Mesmo assim, de olhos fechados, sabia que os objectos da sala o olhavam. Inclinou a cabeça para trás e através da janela via a montanha ao fundo, coberta de neve e as nuvens que passavam sobre ela.

Na viragem do milénio dediquei-me, durante cerca de um ano, a fazer subidas de bicicleta pela serra de Sintra. Aos Domingos de manhã, partia por volta das 10h00, o local onde ficavam os carros era na Atrozela e depois começava a subida da serra, durante cerca de uma hora pedalava até as forças se esgotarem, por sorte ao fim de algum tempo começaram a esgotar-se no alto da serra, e depois era a descer até Colares, onde se fazia um pit stop para beber coca-cola e comer um cubo de marmelada. O regresso fazia-se por percurso diferente mas sempre com o mesmo objectivo, conquistar novamente o alto da serra para depois descer para a Atrozela.

Durante estes passeios dominicais, nunca consegui descobrir muito bem com é que as minhas pernas resistiam, mas depois de deixar de pensar nisso comecei a usufruir da serra e a deixar-me levar pela sua beleza. Onde as árvores se cruzavam para tapar as gotas de chuva no inverno ou os raios de sol no Verão, é desses pedaços de percurso, onde o famoso microclima da serra se fazia sentir, que sinto saudades.

Depois por motivos vários deixei de poder efectuar esses passeios durante algumas semanas o que fez com que rapidamente perdesse a capacidade física para aguentar a serra, e a vontade de recomeçar não vingou pelo que a bicicleta foi encostada e hoje serve os meus amigos que são capazes de tirar proveito dela.

 

Danada seja a construção do novo bairro, mesmo em cima do único local onde podia passear o cão. E os novos vizinhos serão com certeza uns novos ricos cheios de maus-hábitos e pouca educação, quem é que quer afinal pagar uma fortuna por apartamentos onde cada parede é mais fina que uma fatia de fiambre e mais insonorizada que um pedaço de papel. Ali vão viver mais de 60 famílias, num conjunto de quatro prédios, cada um com quatro andares, e todos sem graça alguma. Modernos diz a publicidade que eles colocaram na minha caixa de correio. O que será que eles querem dizer com “modernos”, referem-se à falta de privacidade, ao amontoado de partilhas humanas forçadas, ou diz respeito apenas ao facto de cada prédio ter um sistema sonoro nas áreas comuns com música horrível a debitar a toda a hora que alguém entra ou sai de um daqueles apartamentos, se calhar não é isso, se calhar referem-se à piscina comum que em dias de grande calor pode ter que albergar mais de 200 pessoas. Quem terá associado esse facto à modernidade. Quem terá sido o grunho que optou por fazer da desactivação da privacidade o sinónimo de modernidade. Deve ter sido alguém com muita sede de dinheiro e pouco respeito pelos outros. Embora, os outros que decidirem morar ali pouco se dêem ao respeito, estão bem uns para os outros, quem constrói e quem compra é tudo fruto da mesma anestesia mental.

Agora vou ter de encontrar um local novo para ir passear o Cassius, talvez para os lados da auto-estrada, ficou por lá um terreiro que servia de estaleiro durante a construção e deve ser o único sitio aqui perto onde um cão possa correr em liberdade, isto se for um cão obediente e responsável como o Cassius, porque se for um desses que hoje se encontra muito sem qualquer tino para descobrir onde está é capaz de se enfiar encosta acima em direcção da auto-estrada e perder-se por ai até um carro o encontrar de frente.

Os homens que decidem o planeamento nunca pensaram nisso, nem nisso nem nos mortos, o cemitério está lotado mas eles continuam a fazer lá enterros, agora devem estar a convencer as famílias todas a cremar os seus entes falecidos, com a desculpa de que é mais higiénico os sacanas poupam espaço, e dentro de uns anos o que irão inventar? Talvez destruir o terreiro que resta e aumentar para aí o cemitério. E depois? para onde vão os cães passear. Para onde?

Novas rajadas de sol deixam o meu corpo mais dormente que uma comprida estada na cama. Não resisto a vulgarizar este Verão hipócrita que se lança sobre mim como se eu o desejasse. Não o desejo e tenho até alguma indiferença para lhe devolver. Vou fechar-me em casa em frente ao computador só para provar a mim mesmo que o dispenso. Os estores ainda deixam entrar parte dos seus raios para dentro, mas a luz do monitor é mais eficaz e rapidamente os coloca em segundo plano. Se um tom sombrio me ocupa os pensamentos é porque eu não consigo acreditar nas coisas fora do seu tempo. Não sou obsessivo mas tenho uma enorme vontade de sentir as coisas organizadas. Como se a minha omnipotência fosse posta em causa cada vez que elas aparecem fora do tempo e lugar a que pertencem. Existe um tempo e espaço para tudo, frase da minha mãe que ainda hoje me enrola as emoções mas cujo efeito ficou. Agora, por minha conta, vou deixar que as estações apareçam e desapareçam quando lhes apetece? vou permitir que esse movimento delas seja exterior a mim? se o fizer para quem vão servir todas as ordenações que ao longo dos séculos foram estabelecidas? Não pode ser, não posso deixar que assim aconteça, por isso vou lutar contra este Verão, vou informar todos que ele é falso. Porventura, fruto do desvario consumista do homem, até pode ser criação do Diabo, não pode é ser benigno. Agora é tempo de o denunciar, de exibir todas as atrocidades que ele provoca, não podemos ser indiferentes à seca e à aridez que nos atinge, ele pode causar estragos terrificantes, pode até espalhar-se para zonas onde a sua presença será mortal para muitos seres, seres de todas as dimensões e hábitos, dependentes da sua ausência. O primeiro passo a dar é reconhecer que ele é fonte de vida no seu lugar e que pode ser fonte de morte fora dele, o eros e tanatos do ecossistema. Depois temos de rapidamente desocupar os carros e as motas, bem como todos os veículos que poluem, para de seguida nos dedicarmos a evitar ingerir os produtos liofilizados, a nossa dieta tem de provir directamente da terra, não podemos aceitar embalagens, os nossos detritos devem ser naturais e por isso vamos evitar  tudo o que está embalado,podemos voltar a andar de carroça para percursos pequenos, ou então de bicicleta para percursos médios e em viaturas eléctricas para percursos maiores. Os animais devem ser todos protegidos, de nós e dos malefícios ambientais que criámos, quanto ao criar para comer, parece-me bem apenas se nos contentarmos em criar o suficiente e em condições dignas, todo o excesso deve ser banido, devemos excluir dos nossos hábitos todas as tentações colectoras, as crianças devem ser educadas de forma a perceberem que se querem mais produtos e gadgets deixam de ter um planeta habitável, se não forem capazes de viver com os brinquedos artesanais podem ficar sem poder brincar. Temos de reinventar as novas associações, refundar o Homem, fazer dele parte integrante do planeta e desistir da visão antropomórfica que nos guiou desde as Luzes, avisar as sociedades que ainda aqui não chegaram que não nos devem invejar, apesar de isto não ser tarefa fácil, pois como não invejar quem tudo tem? Depois, insistiremos que o único fim para o qual devemos estar todos de acordo é a nossa preservação, tudo o resto são fenómenos fruto do egoísmo e visam apenas o bem estar de poucos. Temos de admitir que o fim está próximo se nada fizermos, que somos responsáveis pelo destino, que devemos acarinhar o que o nosso berço natural nos dá e deixar de exigir coisas que não servem para mais nada além da auto-destruição, temos de fechar as fábricas que poluem, soltar os animais dos seus cativeiros, trocar as armas por máquinas de lavrar e começar a nova época das sementeiras, depois disso o sol com certeza vai aparecer no seu tempo, e a chuva também e todos nós vamos ser muito mais felizes.

Este fim de semana foi o primeiro em que a Íris se aventurou a andar de bicicleta, começou de forma um pouco frustrante na Sexta-feira ao final da tarde, em que os parafusos de uma das rodinhas se soltaram e ela pouco conseguiu andar, tendo aproveitado o sol para se por em tronco nu e descalça a correr pela areia.

No Sábado, já com os problemas resolvidos decidiu mostrar-me de que fibra é feita e levou-me a percorrer, sempre atrás dela, o paredão, entre a praia da Poça e a do Tamariz, ao chegar, resolveu cravar-me uns óculos de sol na loja que existe no túnel do Tamariz e seguiu viagem de regresso à Poça, aí fui eu que achando que ela tinha consumido algumas energias a presenteei com um gelado (Calippo cola, escolha dela).

Depois do gelado comido, voltou a sentar-se na bicicleta e lá fomos nós novamente ao Tamariz, as ondas batiam no paredão e uns salpico de água refrescavam a face em dois ou três pontos do percurso. Ao chegar ao Tamariz decidiu tentar subir e descer a rampa que dá acesso ao túnel e não descansou enquanto não conseguiu, depois regresso à Poça, onde se limitou a fazer vários percurso no largo da praia, subindo um pouco da rampa de acesso à marginal e descendo a mesma a velocidade considerável, para quem tinha começado nesse dia a andar de bicicleta a sério. Depois ainda ousou fazer várias vezes o túnel da Poça, porque é liso e lhe permite ganhar mais velocidade.

No Domingo, estava incapaz de a acompanhar e por isso o assistente de serviço foi a avó, que fez com ela mais duas vezes a visita ao Tamariz, e ainda teve direito a ver a neta tentar um cavalinho apenas porque viu um rapaz a tentar fazer na sua bicicleta mesmo em frente dela. Mais um gelado e e um cachorro, alguns novos passeios pelo túnel da Poça e vários pequenos passeios em redor da esplanada, sempre acompanhados pela frase-  “Eu já volto”.

Não sei como é que ela viveu esta experiência, mas para mim, foi emocionante, não é apenas baba paternal é também a sensação de desenvolvimento do ser humano, das suas adaptações e das suas lutas para ultrapassar os obstáculos (sim, porque também teve direito no Sábado à sua primeira queda de bicicleta). Claro que ver de perto e sendo minha filha a emoção é maior.

Foi em 1979, aproveitando um concerto no pavilhão Dramático de Cascais que os The Stranglers decidiram gravar o videoclip para “Nuclear Device”, aquele que viria a ser o segundo single para o álbum “The Raven”. Tendo gostado muito da praia do Guincho, decidiram que era ali que iriam rodar as imagens para o seu Apocalipse pós-nuclear, as dunas e a vegetação ao redor da praia criavam o cenário perfeito para esses intentos.

Tendo em conta que é um produto pré-MTV, o resultado não se pode considerar desastroso, chegando a ter algum acerto na imagem e ritmo sem recorrer a alguns efeitos que nos anos seguintes viriam a estragar muitos videoclips.

Aqui fica ele.

As histórias que conto à minha filha são inventadas e, não raras vezes, acontece faltarem-me  assuntos que no momento possa desenvolver e criar uma história nova para ela, por isso vou criando em círculos, inventando a partir da última que lhe contei e tentando desenvolver uma cronologia dos personagens que faça algum sentido para ela.

Inicialmente ela limitava-se a ouvir a história, sendo reduzidas as suas intervenções, agora, com o medo do fim das mesmas histórias ela vai colocando questões sobre as personagens e o porquê dos seus comportamentos para prolongar o tempo em que vivemos os dois nessa fantasia. A verdade é que com essas perguntas ela me ajuda a desenvolver mais e me ajuda também a perceber o entendimento que ela vai tendo dos personagens e situações vividas por eles, bem como deixa escapar o que lhe interessa mais.

Quando me imaginava pai, antes de o ser, fantasiava com a imagem do adulto sentado na beira da cama a ler-lhe um livro, hoje 6 anos passados após o nascimento da Íris essa imagem desapareceu sendo substituída pela do adulto que se procura desenvencilhar num mundo de fantasia que ele próprio criou para oferecer sob a forma de história à sua filha. Só que esse mundo não é tão distante da nossa realidade, diria mesmo que as minhas história vivem dum naturalismo acentuado, a como estão sempre em fase de construção passaram a ser co-criadas pela Íris.

Não me lembro dos meus primeiros 6 anos de vida, o tempo que vivi em Angola. Mas, imagino que deveria adorar histórias.

Estava à espera de quê? Afinal para que serviam todas as horas gastas a ensaiar este momento? Não houvera ela simulado mentalmente toda esta situação? E agora onde é que estavam as suas deixas? Escondida por trás de um copo com vinho, ela olhava para ele como se de um ser alienígena se tratasse, um daqueles seres que num só gesto são capazes de nos conduzir pelos caminhos que eles traçam e nos quais nós não conseguimos introduzir qualquer aspecto da nossa vontade. Uma espécie de hipnotismo interplanetário que a impedia de articular qualquer palavra. Assim esteve durante largos segundos, até que o reflexo do seu rosto no copo, quebrou o feitiço.

– Acho que podemos sim, podemos ver no que dá – disse ela finalmente.

Ele olhou para o copo na mão dela, como se tivesse compreendido que ali estava uma fórmula mágica capaz de prolongar o momento e sorriu para o copo. Depois pegou no seu copo e levou-o à boca bebendo num único trago todo o liquido que ele continha. Levantou-se de seguida e dirigiu-se para o outro lado da mesa, ficando em pé ao lado dela.

– Talvez não seja má ideia! Talvez possa até ser a única coisa certa a fazer – disse-lhe olhando para baixo na direcção do seu decote.

Ela voltou ao estado hipnótico e ficou imóvel, não sabia se contrariava os seus impulsos ou se eram estes que a mantinham naquela imobilidade. Nunca tinha vivido um momento assim. Sempre fora dominadora de todas as situações e essa era a sua imagem de marca – o controlo, a segurança com que previa todos os acontecimentos e se antecipava a eles. Mas agora tudo isso parecia pertencer a outra pessoa. Baixou o copo, e colocou-o na mesa, depois olhou para cima e percebeu o olhar dele fixado no seu. Esse foi o momento em que voltou a si e entrou de novo na realidade do momento.

– Ok. Qual é então o próximo passo? – perguntou-lhe com a segurança na voz que transmitia preparação para qualquer resposta dele.

Ele pegou-lhe na mão, que acabara de ficar livre do copo e ajudou-a a levantar da cadeira, assim que o rosto dela ficou em frente do seu, decidiram ambos, numa frequência telepática situada num canal só deles, que aquele era o momento e beijaram-se. Como num filme protagonizado por galãs e divas tudo em redor deles rodou, apenas eles se mantiveram no mesmo lugar enquanto o mundo girava em torno deles.

 

Adoçar a boca

Posted: Fevereiro 29, 2012 in Ouvidos - Memórias, Pele - Lazer

Numa interpretação selvagem dos postulados psicanalíticos, diria que a minha tentação por bolos servirá para compensar carências de valor afectivo. A verdade é que desde muito cedo, muito antes de ter ouvido falar em psicanálise ou nos seus derivados que me considero facilmente um guloso.

Dei por mim a fazer um levantamento apressado dos meus bolos favoritos e cheguei à seguinte lista:

“Travesseiros” da Periquita (Sintra), “Fofos” da Casa dos Fofos (Belas), “D. Rodrigo” da Taquelim (Lagos), “Croissant” e “Palmiers” do Careca (Belém), “Queques” do Rendezvouz (S. João do Estoril), “Éclairs” da Leitaria Quinta do Paço (Porto), Bolas de Berlim da praia de Alagoa (Altura), os famosos pasteis de Belém e os biscoitos home-made da minha cunhada Elsa.

Lembro-me agora de um divinal “Mil-folhas” que me foi servido num daqueles restaurantes da cadeia Lizarran ali perto da Av. Duque de Loulé, não sei se ainda existe mas era irresistível.

Pronto, vou comer qualquer coisa.

 

Para relaxar sobre a leitura de mais umas páginas de “Infinite Jest” (o livro interminável), uma dúvida assaltou o meu pensamento, e tal é o raio da sua acção que não consigo imaginar resposta para ela.

Como é que seria o sexo antes; das religiões, das doenças, dos livros, de Freud, da fotografia, do cinema, da pílula, da mini-saia, dos filmes pornográficos, do Marvin Gaye, da Sida, do preservativo, dos rigores higiénicos, das preocupações demográficas, da pílula do dia seguinte, da Internet, do Brad Pitt e da Angelina Jolie, do Facebook ?

Ocorre-me numa reacção imediata que seria tal e qual como é hoje, mas logo de seguida descubro o quão ingénuo estou a ser.

Existem poucos motivos para assistir ao que os canais televisivos têm para nos oferecer, por culpa deles (programadores e directores de canal) e nossa (espectadores), o patamar de qualidade e interesse pelo meio televisivo deteriorou-se de forma quase irreversível ao longo dos anos. Restam-nos as excepções que não só confirmam a regra como ainda deixam no ar a possibilidade de a televisão poder ser mais do que aquilo que é actualmente.

Todo este palavreado serve apenas de introdução à melhor série que me foi dada a ver nos últimos anos em televisão ( e sim, estou a ter em conta o Mad Men!). “Homeland”, que em português recebeu o nome “Segurança Nacional” e que está a passar no canal Fox, às segundas-feiras à noite (22h20), agora em dose dupla desde o fim do “House”, já passaram os primeiros nove (de 12) episódios da primeira temporada, a única que está produzida, sendo que a produção assegurou o inicio das gravações da segunda temporada para a primavera de 2012.

Tomando como base de inspiração a série israelita “Hetufim” (raptado), a versão americana distancia-se desta não apenas na americanização do plot mas também na liberdade dada aos actores para ajudarem a construir os seus personagens e acima de tudo, na actualização constante da trama por forma a fazer coincidir com momentos da história global do planeta, por ex. na segunda temporada existe vontade da produção em fazer coincidir alguns aspectos da ficção com as eleições presidenciais americanas que irão ocorrer em Novembro, altura em que a série estará no ar.

A história segue as lutas de Carrie (excelente Claire Danes), agente da CIA, para tentar provar que o Sargento Brody, regressado após 8 anos de cativeiro no Iraque, é um convertido à causa islâmica, isto quando todo o país o quer aproveitar como herói. E se por aqui, apenas se apresenta um argumento mais ou menos engenhoso, a grande riqueza da série, assenta mais nas interpretações e nas características de cada personagem que são exploradas de forma a fazê-los coincidir com o cidadão vulgar, mesmo quando por eles passa um poder acima do normal. Carrie sofre de doença bipolar, Brody teve uma relação homossexual com o seu raptor e guardião durante a estadia no Iraque, pelo meio de tudo isto envolvem-se as questões familiares que são trazidas para o centro da acção e não apenas usadas como enfeite.

A tudo isto junta-se uma boa mão cheia de diálogos soberbos e uma realização eficaz, sem recorrer à técnica como muleta para esconder o que quer que seja, e está identificada a receita de uma série feliz. Como bónus “Homeland” ainda nos permite lançar questões (a nós próprios) sobre o papel do mundo ocidental na criação dos “monstros” árabes, sobre a necessidade cada vez maior de as pessoas lutarem por causas humanas e menos por causas nacionalistas. Até espanta como a Fox (canal menos dado a reflexões liberais), foi nisto.

Fecho o post com a música que encerrou o episódio 9 transmitido ontem.

Fantasia

Posted: Fevereiro 25, 2012 in Cérebro - Pensamentos, Pele - Lazer

Depois de muito tempo a beber ar, resolvi sair de casa para ver se conseguia expeli-lo todo e libertar algum do lastro que os pensamentos atraem. Distanciei-me o suficiente para evitar encontros fortuitos com vizinhos, mas não tinha uma rota pré-definida, estava em piloto-automático. O que numa noite de céu limpo significa luz verde para percorrer os quilómetros necessários até sentir que o ar saiu todo, ou até as pernas cederem. Não tinha nenhum pensamento fixo e o movimento dos carros que passavam pareciam ser o suficiente para sair de um e entrar noutro. A certa altura, parei, aliás fui obrigado a parar. Em frente a mim, um cão com ar pouco simpático tirava-me as medidas. Sabia que se lhe virasse as costas ele ia entender isso como um convite para me atacar, por isso fiquei quieto olhando-o nos olhos, numa espécie de jogo, em que nenhum dos dois parecia querer estar. Ao fim do que me pareceram ser 30 segundos ele cedeu, voltou-me as costas e correu em direcção ao fim daquela rua. Eu deixei-me estar mais alguns momentos, até que a falta de nicotina no corpo me obrigou a acender um cigarro, ou então fora aquela inesperada adrenalina que me levou a ir ao bolso em busca do maço. Dei meia volta a iniciei o percurso de regresso a casa, tentei variar nas ruas mas nem sempre consegui. Ao chegar à porta de casa reparei que uma luz ténue se anunciava na minha sala. Quase que jurava a mim mesmo que não tinha deixado a luz acesa, mas não estava capaz de fazer apostas naquele momento, por isso atribui a uma espécie de Alzheimer o meu esquecimento e abri a porta de casa. Lá dentro mantinha-se o cheiro a cinzeiro, todos os cinzeiros da casa tinham sido despejados antes de sair, mas o cheiro persistia. Da sala veio um ligeiro ranger, como se alguém estivesse lá dentro a fazer um tremendo esforço para não ser ouvido. Esperei à porta sem entrar, não ouvi mais nenhum ruído e atribuí o anterior à minha imaginação, mesmo assim decidi não entrar, fui directamente para a cozinha onde bebi meio litro de leite fresco, enquanto passava os olhos pelo meu caderno de apontamentos, a página à minha frente tinha a seguinte frase escrita em letra apressada – Numa vida futura vê se te concedem o mesmo gosto pela fantasia.

Quando encontramos uma obra cuja beleza é tão assombrosa que não podemos imaginar como é que seria se não nos tivéssemos deparado com ela. Imaginar o “nosso” mundo desprovido dela é de um masoquismo tal, que não suportamos a ideia. Pelo que o melhor é acreditar que estávamos destinados a conhecê-la. Assim acontece com “Put your back n 2 it”, de Perfume Genius.

Músicas sentidas e doridas, acompanhadas por uma voz doce e sofrida, a de Mike Hadreas. Sem qualquer dúvida o melhor disco de 2012 que ouvi até agora, porventura um dos discos que fará parte dos meus melhores de sempre. Bonito como todas as coisas que nos fazem sentir os mais profundos desígnios da dor. Não são baladas, são hinos aos sentimentos.

Sublime.

 

 

Ontem, a convite do meu amigo Xico, fui com ele e com o meu afilhado Tomé, até à fabrica do Braço de Prata (local anterior da “Ler Devagar”), onde decorria um serão com danças tradicionais europeias. Estas noites dançantes ocorrem ali com frequência quase semanal, embora eu e o Tomé estivéssemos completamente virgens no assunto.

Numa sala do 2 andar, cerca de uma centena de pessoas estavam sentadas a ouvir um concerto de Sebastião Antunes, que acabou perto da meia-noite, e depois começou o baile (antes ainda houve tempo para cantar os parabéns à TradBalls, organização que divulga e promove as danças europeias, e que ontem comemorava o seu 7º aniversário). O baile em si decorreu de forma informal e descontraída, independentemente do grau de conhecimento que cada um dos presentes tinha sobre as danças (os mais treinados ajudavam os novatos).

Entre os presentes, de várias idades (entre os 18 e os 50, diria eu!), notava-se um enorme prazer em estar ali. Imagino que para muitos, será um espaço de convívio aguardado com expectativa todas as semanas. Acabei por fazer parte dos que dançavam em 2 músicas e vi os outros dançarem em meia-dúzia delas.

Como dizia ao Xico, eu acredito que as pessoas todas gostem de dançar, se lhes derem oportunidade para tal e um ambiente que não intimide, então poderemos descobrir muitas personalidades tímidas a soltarem-se em passos largos na pista de dança. Ontem “imaginei” ver algumas pessoas que correspondem a este perfil. Foi bom.

O pop-rock, não fez parte (nem fará, acredito), das músicas destes bailes, mas sempre que se fala em dança este é um dos vários temas que me ocorre.

Aqui está

Posted: Fevereiro 17, 2012 in Coração - Sentimentos, Pele - Lazer

O post anterior, tocava nas minhas emoções, mas faltava qualquer coisa. Aqui fica então o que faltava

Hoje, dia 17 de Fevereiro (sexta-feira), é o dia em que no colégio que a Íris frequenta, os meninos vão mascarados para celebrar o carnaval. Cada um deles, escolhe uma persona que gostaria de representar durante o dia e procura trajar-se o mais a rigor que consegue para vestir essa pele, emprestada por um dia.

A Íris dando sequência a uma série de movimentos que a levam a querer afirmar-se como bailarina, hoje decidiu trajar-se como tal (de uma forma mais rigorosa do que aquela que habitualmente pratica em casa). O resultado é fantástico. Com a ajuda da Sara conseguiu transformar-se numa bailarina linda, muito linda.

Não a fui levar à escola, mas espero ir buscá-la, pelo que até agora só tenho a prova fotográfica, mas a avaliar pelo discurso da mãe, ela deve estar muito feliz. Por um dia vê um dos seus mais importantes sonhos concretizados. Hoje ela é bailarina!

Fazer outra vez, fazer de outra forma, fazer de novo a partir do velho. Nem sempre a vontade de homenagear, ou o simples prazer de recriar, dão origem a bons resultados. Muitas vezes ficam-se apenas pelas intenções, outras passa-se para lá delas mas o desvio é grande para se perceber o cunho original. Outras vezes apenas se veste uma nova roupa no mesmo corpo. Existem múltiplas soluções para quem quer arriscar uma cover version, os bares estão repletos de bandas a fazer disso o seu ganha-pão (a maioria das quais com resultados medíocres e uma interminável falta de imaginação). Mas de vez em quando surge uma nova versão de um velho tema que nos toca profundamente. Que nos lembra a beleza que o original continha e nos dá uma leitura também ela bela e diferente. Não é tão fácil quanto parece, a história da música popular tem muito mais fracassos do que vitórias nessa guerra. Eu, pessoalmente, raramente gosto mais de uma cover do que da versão original, no entanto, existem excepções, poucas, muito poucas. O tema que fecha este post é quase uma excepção, não chega verdadeiramente lá mas está muito próximo. A partir de um original de Neil Young, surge esta excelente versão dos The Chromatics.

Como se devem sentir aqueles cujo desígnio se concretiza, é algo que sempre me deixou dúvidas e angústias no cérebro. Alcançar os objectivos é uma tarefa difícil, pelo menos para aqueles que, como eu, têm por hábito colocá-los em patamares utópicos e/ou os alteram  constantemente.

É uma terrível convivência com a mediania, com o “consegui o que foi possível”, que nunca é o que se pretendia. Mas, é nesta sensação que reside alguma da imaginação que continua a procriar objectivos de alta qualidade e excesso de perfeição. Como se nunca fosse possível desistir, porque ainda não se conseguiu alcançar o que se pretendia, e por conseguinte, ainda não existe espaço para o descanso ou para deixar de lutar. É verdadeiramente uma faca de dois gumes que corta para doer e para abrir caminho. Mas deve valer a pena, algo de bom surgirá. Assim sendo, siga!

“Take something bad…and make it into something good.

Take all you had…just like the way I knew you would”

Estive há duas noites sentado nos bancos exteriores da Pensão Amor (Rua do Alecrim) a olhar para o toldo que cobre essa área. Uma gravura de uma mulher nua, coberta apenas com um véu, quase transparente, na zona genital. Uma pintura do renascimento, diz um amigo meu. Mas o que me chamou a atenção e me levou a olhar para essa mulher foi a tentativa de verificar onde o belo, no que à beleza feminina diz respeito. Se alterou de lá para cá. E, nessa deriva, dei por mim a perceber que não são precisos séculos para se efectuarem mudanças de gosto, no que a esse aspecto diz respeito.

Tomando como referência o meu caso pessoal, que é o que conheço melhor. Em pouco mais de duas décadas, o meu gosto e a minha noção de beleza feminina, mudaram várias vezes, chegando à sua mais recente actualização com a Rooney Mara (The Girl With the Dragoon Tatoo) como modelo. Existem referências mais antigas de beleza que ainda continuo a reconhecer como tal, mas a Rooney Mara é a mais actual das marcas de mudança de gosto.

 

Hoje celebra-se mais um aniversário da morte de James Augustine Aloysius Joyce, oportunidade para relembrar um dos mais importantes escritores de sempre.

“Os erros são os portais da descoberta.”

“Masturbação! É impressionante como ela está sempre à nossa mão!”

“Tudo é caro de mais quando não é necessário.”

“Deus fez o alimento, o diabo acrescentou o tempero.”

James Joyce

02/02/1882, Dublin (Irlanda)
13/01/1941, Zurique (Suíça)

David Foster Wallace

O título deste post é enganador, porque redutor,o livro que digo ser do ano, será, com certeza, deste ano, do próximo, uma vez que só o vou conseguir terminar em 2012, e é já o livro dos anos até aqui, vindo a ser, provavelmente, dos anos subsequentes.

Tamanha correcção é obrigatória, porque “Infinite Jest” é um livro que merece o meu destaque e reconhecimento total.

Ao ler uma crítica sobre o livro, numa das minhas deambulações pela internet, fui acometido de uma necessidade extrema de o ler. Coloquei aqui um post a pedir ajuda, e recebi duas respostas, uma que me encaminhava para a leitura via computador (obrigado Génio) e outra que me prometia uma surpresa. A surpresa surgiu quando o livro me foi oferecido (muito obrigado Clara).

Tenho-o na sua edição em inglês, e aceito emprestá-lo, não sei ainda quando pois não está terminada a sua leitura. Mas aviso desde já, que será emprestado com a garantia absoluta da sua devolução. Por mim, vou ficar com ele até conseguir ler.

“Infinite Jest” é um livro especial, não pelas suas 1.100 páginas, nem pelo facto de o seu autor se ter suicidado, isso são pormenores laterais,que podem ajudar à criação do mito, mas não são a sua base. É especial porque condensa de forma única a respiração do nosso tempo (finais do século XX e inícios do XXI), embora terminado em 1996, o livro é tão actual como uma crónica de hoje.

Carregado de personagens a três dimensões, que poderiam ser qualquer uma das pessoas que se cruza connosco na rua, sentimos desde o inicio estar perante um retrato fiel do que é fazer parte deste mundo, neste momento da nossa história comum. Ocidental, é certo, e cheio de referências que não permitem escamotear tal localização. Onde todos os pormenores são dissecados, até ao limite, nunca testando a nossa paciência pois é sublime a forma como David Foster Wallace escreve, criando em nós a vontade de acompanhar, mais do que nos imaginamos capazes, qualquer tema por ele abordado.

Enfim, nenhum elogio que eu faça estará à altura do livro, por isso só lendo. Para quem não lê inglês (neste caso é mesmo uma pena) embora acredite que se existir versão em português do Brasil, valha a pena tentar chegar a ela.

Encerra este post, o videoclip de uma artista que descobri também em 2011 e que ficará para os anos seguintes. Laurel Halo

No tempo do bolo-rei, é muito complicado evitar uns quilos a mais.Não existe dieta mediterrânica que salve o meu corpo de uns excessos. Já tentei várias abordagens gastronómicas ao período natalício mas o resultado é sempre o mesmo – excesso.

A minha família não tem, nem nunca teve, uma tradição em volta do peru, factor que com certeza me ajudaria, pois não sou apreciador do dito animal na sua versão cozinhada. Quanto ao bacalhau e ao polvo já não posso dizer o mesmo, gosto e muito, pelo que não resisto a repetir doses.

Para complicar as coisas ainda mais, também gosto dos doces de Natal, mesmo o bolo-rei, se estiver a olhar para mim num prato qualquer acaba por ser digerido, e se for da Garrett, então são várias fatias que desaparecem num instante.

Os dias 24 e 25 de Dezembro são dias em que não consigo definir bem o que são refeições, pois passo o tempo a comer. Não me privo. A situação ganha contornos mais dramáticos porque é acompanhada por uma total ausência de exercício, são dias em que a posição corporal varia entre o sentado à mesa e o sentado no sofá, antes do óbvio, deitado na cama.

Bem, vamos a isto, compensar as carências de vários níveis com uma calorias e uns sorrisos fraternos. Bom Natal para todos.

P.S. – Pensei fechar isto com uma música de Natal. Wham???, não. David Bowie com Bing Crosby???, não. She & Him????, não. Sufjan Stevens???, não. Esqueçam lá isso, vou antes encerrar com uma cover muito interessante e engraçada, de um tema que toda a gente conhece.

Como tenho a felicidade de não estar envolvido em nenhum concurso de beleza, estou dispensado de pedir a paz no mundo. Mas existem alguns pedidos que eu gostaria de ver satisfeitos no ano que está quase a entrar. Como são muitos (quanto maior é a crise, mais é a demanda), elaborei uma lista, com direito a numeração e tudo, embora os números não representem uma ordem de necessidade, apenas uma ajuda na organização.

  1. Emprego para mim
  2. Capacidade financeira para responder aos meus encargos
  3. Novo computador
  4. Poder inscrever a minha filha nas Billabong Girls (se ela quiser)
  5. Poder comprar algumas peças de vestuário para mim e para a Íris
  6. Nascimento saudável para o Altenor Jr, com um bom primeiro ano de vida
  7. Rumo na formação para o Tomé, Joana Garrido, Joana Perpétuo e Mafalda
  8. Que os meus sobrinhos e a Íris se encontrem muitas vezes ao longo do ano
  9. Tempo para escrever
  10. Acabar de escrever as duas curtas-metragens que tenho em mãos
  11. Escrever a longa-metragem que tenho em mente
  12. Melhorar a longa-metragem que já escrevi
  13. Poder reencontrar todos os mineiros na Mina de S. Domingos em Junho
  14. Ganhar um Euromilhões
  15. Ter tempo e dinheiro para ir ao cinema
  16. Ter tempo e dinheiro para continuar a ouvir música
  17. Ver concertos
  18. Ter a capacidade de engolir um sapo e poder ir ao Rock in Rio ver o Springsteen
  19. Ter férias com a Íris e poder escolher como
  20. Estar com os meus amigos regularmente
  21. Subir a auto-confiança para valores estáveis, mas pré-arrogância
  22. Continuar a dizer à minha filha que a adoro, todos os dias
  23. Ouvir o meu lado emocional
  24. Comer coisas boas
  25. Ver o projecto televisivo, que estou a ajudar a preparar, chegar a bom destino
  26. Ver a CRIM ganhar prémios
  27. Ver o Marcelo dar o salto para o próximo projecto
  28. Conhecer Londres ou Berlim (New York fica para os pedidos de 2013)
  29. Poder ir ao Brasil com a Íris e os meus amigos do Porto e Lisboa
  30. Ver os putos do grupo a divertirem-se juntos
  31. Os meus pais a manterem-se com saúde e alegria
  32. Poder dar as prendas que me apetece dar no Natal de 2012
  33. Voltar ao Tae Kwon Do
  34. Reencontrar com regularidade os meus amigos das terças-feiras
  35. Realizar uma das curtas-metragens
  36. Ver um trabalho do Tagger (Ricardo) tornar-se “viral” na net
  37. Jogar póquer no pátio do Humberto
  38. Ver peças do Teatro do Bolhão e do Teatro da Garagem
  39. Ver o Nuno nos Artistas Unidos
  40. Ver o meu irmão e a Elsa com frequência
  41. Ajudar nos trabalhos de casa da Íris a partir de Setembro
  42. Comer vários gelados do Santini
  43. Ir a Peniche durante o campeonato de surf
  44. Ver a Sara feliz (aliás ver todos os meus amigos e família realizar as suas listas)
  45. Ver o Filipe ganhar um torneio num casino
  46. Saúde e serenidade para todos (não resisti)
  47. Poder acrescentar alguns pedidos que escaparam nesta lista (jogar pelo seguro)

Vamos ver o que se concretizará.

Depois de muita audições, revisões, convulsões, angústias, confusões, dúvidas, pesquisas, lutas, novas revisões e novas audições, eis que consegui elaborar a lista dos melhores discos do ano de 2011. Para conseguir ultrapassar uma luta interna terrível, tive que alargar a lista aos 50 melhores discos do ano e, mesmo assim, tive que deixar de fora as reedições, e algumas bem mereciam estar nesta lista.

Foi difícil, este parto, consumiu-me quase dois dias de dedicação, mas teve a vantagem de me fazer ouvir novamente discos que gosto. Aqui está ela em ordem crescente (com links para um vídeoclip do disco):

50 – Patrick WolfLupercalia (http://www.youtube.com/watch?v=3hBJIbSScBM)

49 – Frank Ocean – Nostalgia, Ultra (http://www.youtube.com/watch?v=TMfPJT4XjAI&ob=av2e)

48 – Jamie WoonMirrorwriting (http://www.youtube.com/watch?v=BvsfGhEqnXE)

47 – The Pains of Being Pure at HeartBelong (http://www.youtube.com/watch?v=i2vvAck6z5c)

46 – Eleanor FriedbergerLast Summer (http://www.youtube.com/watch?v=jjK-Ab8t7Ug&ob=av2n)

45 – The Weeknd – House of Balloons (http://www.youtube.com/watch?v=fJxOBXTFi6g)

44 – Unknown Mortal OrchestraUnknown Mortal Orchestra (http://www.youtube.com/watch?v=c-36lCKovBg)

43 – Real EstateDays (http://www.youtube.com/watch?v=4HWcViTXdYc)

42 – Gauntlet HairGauntlet Hair (http://www.youtube.com/watch?v=UJx6UirthUg)

41 – Thurston Moore – Demolished Thoughts (http://www.youtube.com/watch?v=nnRqqz7f6OI)

40 – Josh T. Pearson – Last of the country gentlemen (http://www.youtube.com/watch?v=pg_kWAD9A8k)

39 – Panda Bear – Tomboy (http://www.youtube.com/watch?v=U4uikYNvGgM)

38 – Fucked Up – David Comes to Life (http://www.youtube.com/watch?v=syg6XGbdUkM)

37 – Liturgy Aesthethica (http://www.youtube.com/watch?v=D2iwAAaEZvE)

36 – EMA – Past Life Martyred Saints (http://www.youtube.com/watch?v=BacPDrDeY8U)

35 – Azari & IIIAzari & III (http://www.youtube.com/watch?v=c7KnAPMSreU)

34 – S.C.U.M.Again into Eyes (http://www.youtube.com/watch?v=MOWANx94pbU)

33 – Wye Oak Civilian (http://www.youtube.com/watch?v=rmjMFPSLXI4)

32 – The Head and The HeartThe Head and The Heart (http://www.youtube.com/watch?v=xjoA4nYBD5U)

31 – St. Vincent – Strange Mercy (http://www.youtube.com/watch?v=Itt0rALeHE8&ob=av2e)

30 – Washed Out – Within and Without (http://www.youtube.com/watch?v=7fYnfE5Cycg)

29 – Tim Hecker – Ravedeath, 1972 (http://www.youtube.com/watch?v=TKKqfQtqObo)

28 – Clams CasinoInstrumentals (http://www.youtube.com/watch?v=ddwo_kcT-WQ&feature=related)

27 – Lykke Li – Wounded Rhymes (http://www.youtube.com/watch?v=vZYbEL06lEU)

26 – Nicolas JaarSpace is only noise (http://www.youtube.com/watch?v=t5bvLfDkwZc)

25 – We are AugustinesRise Ye Sunken Ships (http://www.youtube.com/watch?v=LYXhAmlfNP0)

24 – Youth Lagoon – The Year of Hibernation (http://www.youtube.com/watch?v=8IKPT30jOJw)

23 – Alexander TuckerDarwytch (http://www.youtube.com/watch?v=OpnyNb6uATE)

22 – John Maus – We must become the pitiless censors of ourselves (http://www.youtube.com/watch?v=PMku-GbafEg)

21 – Demdike StareTryptych (http://www.youtube.com/watch?v=OFdOU_4qQ3M)

20 – Drake – Take Care (http://www.youtube.com/watch?v=Xyv4Bjja8yc)

19 – Wolves in the throne roomCelestial Lineage (http://www.youtube.com/watch?v=JDrJ5qOyXyg)

18 – WilcoThe Whole Love (http://www.youtube.com/watch?v=4aalGe6xKk4)

17 – Girls – Father, Son, Holy Ghost (http://www.youtube.com/watch?v=IxuDoYhQI2o&feature=relmfu)

16 – Julia HolterTragedy (http://www.youtube.com/watch?v=xhMrFUZekww&feature=related)

15 – Sandro Perri – Impossible Spaces (http://www.youtube.com/watch?v=G7AC3FgI1Aw&feature=related)

14 – Atlas SoundParallax (http://www.youtube.com/watch?v=AqaA1pUFMs4)

13 – John Foxx & The MathsInterplay (http://www.youtube.com/watch?v=sdH_kQwbSAA&feature=related)

12 – Kate Bush50 words for snow (http://www.youtube.com/watch?v=a3BzjfAjug4)

11 – Fleet Foxes – Helplessness Blues (http://www.youtube.com/watch?v=Pgv6dKV03dA)

10 – Kurt Vile – Smoke Ring for My Halo (http://www.youtube.com/watch?v=F1VmLdZvUlo&ob=av2e)

9 – James Blake – James Blake (http://www.youtube.com/watch?v=isIABK-0ohQ)

8 – Destroyer – Kaputt (http://www.youtube.com/watch?v=dfuDbWD_PIk&feature=relmfu)

7 – M83 – Hurry Up, We’re Dreaming (http://www.youtube.com/watch?v=dX3k_QDnzHE)
6 – Peaking Lights936 (http://www.youtube.com/watch?v=aRJO5lVYEPU)
5 – PJ Harvey – Let England Shake (http://www.youtube.com/watch?v=zh41ANc_tMc&feature=relmfu)
4 – Bon Iver – Bon Iver (http://www.youtube.com/watch?v=TWcyIpul8OE)
3 – Laurel HaloHour Logic (http://www.youtube.com/watch?v=JyVaNhkdGHE)
1 – Julianna BarwickThe Magic Place