intuição=perdição???

Posted: Março 20, 2012 in Cérebro - Pensamentos, Coração - Sentimentos, Olhos - Videoclips, Ouvidos - Memórias

Pensando bem sobre as minhas decisões ao longo da vida, noto que uma boa parte delas foram tomadas tendo a intuição como principal aliado. Desde muito cedo que passei a confiar na intuição mais do que deveria. Primeiro foram os estudos, que até certa altura eram tão fáceis que não necessitava de me aplicar para conseguir as notas que deixavam os meus pais babados, depois com o correr dos anos, uma de duas coisas acontecia, ou a matéria ensinada era para mim de compreensão imediata e tinha graças a isso uma boa nota, ou então não era e marrava na véspera dos testes deixando grande parte das respostas para serem escritas com base na intuição. Resultado, as notas deixaram de agradar a quem quer que fosse (isto a partir do 10º ano).

Com a excepção dos filmes, das músicas e dos livros, onde me aplicava a sério para tentar saber mais e aprofundar o meu conhecimento, o que nem eu admitia ser esforço, pois tinha como motor o prazer, tudo o mais era deixado ao sabor do vento ou da intuição. Lia num jornal sobre um curso de formação subsidiado pelo fundo social europeu e não ligava, no dia seguinte lia sobre outro e dedicava-lhe toda a atenção necessária para me levar a frequentá-lo.  A intuição decidia.

E pela vida fora fui seguindo neste caminho pouco claro e desorganizado, onde a intuição pesou sempre muito. Por vezes as coisas correram bem e os meus amigos diziam que tinha sorte, e não se enganavam pois em muitos casos foi isso apenas que esteve na base de coisas boas – a sorte. Outras vezes as coisas correram menos bem e eu dizia que melhores dias viriam. Sempre confiando na minha intuição que teimava em me assegurar que o melhor estava para vir.

Como já não sou capaz de ignorar os factos e esconder a cabeça debaixo da terra, decidi que a intuição deve ter menos importância que a dedicação e a entrega, por isso tento recuperar o poder da decisão para mim de uma forma mais pragmática do que antes, evitando que a intuição se antecipe e decida sem mais. Os resultados ainda não são visíveis, pois as decisões tomadas sob efeito de reflexão demoram algum tempo a produzir resultados, pelo que aguardo pelos próximos tempos para fazer balanços.

Isto não quer dizer que tenha abdicado da intuição, ela está presente e eu tenho-a em conta, só que já não é a única a ser tida em conta (com a possível excepção dos jogos de Poker, onde para arreliação de alguns amigos ela ainda pesa bastante).

Se eu fosse mais esperto talvez tivesse enveredado por este caminho mais cedo, mas teria acabado com algumas ilusões antes do tempo e teria terminado a adolescência com a idade devida, assim prolonguei-a no tempo e não posso dizer que  não me diverti e que não cometi as minhas ousadias. Deram alegrias e tristezas, mas permitiram-me chegar a este ponto em que sei exactamente o que vivi e sei que muito pouco ficou de fora. Daqui para a frente é uma nova forma de caminhar, a ver se acerto o passo e reduzo a velocidade. Se compenso com dedicação a redução da euforia e se experimento a sobriedade com o prazer de quem se pode inebriar com ela.

Uma das bandas que mais gosto, e ainda pouco usada neste blog. Os XTC encerram este post com o adequado “Senses working overtime”

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