A Experiência Jovem-a-Jovem

Posted: Março 19, 2012 in Cérebro - Pensamentos, Ouvidos - Memórias

Desde o final de 1989 até ao fim de 1993, estive envolvido num programa que se chamou “Jovem-a-Jovem. Basicamente era uma adaptação de uma fórmula testada em Inglaterra sob o nome “Teenex”, e que foi recebida em Portugal com o apoio do Projecto Vida. O factor decisivo da criação em Portugal de um programa deste tipo tinha a ver com o investimento que a direcção do Projecto Vida achou (e bem) dedicar à prevenção primária de comportamentos de risco entre os jovens.

Em traços largos o programa consistia na organização de semanas de trabalho de cinco dias apenas para jovens onde eram discutidas as questões que fazia sentido discutir para que não existissem tabus nem falta de informação. Assim, temas como a toxicodependência, a liberalização ou não das drogas, a Sexualidade, a Assertividade e a pressão de pares foram encaixadas num horário que permitia a 50 jovens de ambos os sexos discutirem estes temas durante cinco dias em ambiente protegido (normalmente pousadas da juventude).

A ideia era boa e a vontade de a aplicar também, eu fui um dos primeiros monitores (ali chamados de “facilitadores”) desses programas, por via da minha função de monitor no Centro das Taipas, embora não tenha sido alheio o facto da coordenadora do programa ser na época minha namorada. Devo ter feito nesses 4 anos cerca de 20 programas desses, tendo tido contacto com aproximadamente 1000 jovens (entre os 14 e os 21 anos), de vários cantos do país.

Hoje passados quase 20 anos sobre esse período noto que, apesar das discussões que existiram em torno do programa e das constantes guerras, quer entre facilitadores sobre modelos a usar, quer as guerras para manter o projecto de pé, mesmo com essas memórias, admito que um programa nesses moldes continua a ser algo que deveria existir e que que o estado deveria ser o primeiro a patrocinar a sua criação.

É óbvio que os temas e as suas discussões deveriam ser feitas à luz da realidade actual, e que uma boa parte das técnicas utilizadas necessitaria de um refresh, mas o essêncial continua a ser válido. A promoção de comportamentos saudáveis entre os jovens.Não por medo ou falta de informação, mas exactamente pelo oposto, porque o conhecimento lhes permite optar e com a informação correcta essa opção é na maioria dos casos mais adequada.

Não sei, na verdade, se existe algo parecido a decorrer, se assim é parabéns a quem organiza, mas também sei que se existe é praticamente obscuro dada a sua inexistente divulgação, e um programa deste género necessita de ser conhecido e abrangente, não só deve misturar jovens de vários cantos como devem provir de estratos sociais diferentes e culturas diferentes, só assim todo o potencial de um programa como este pode ser atingido.

Para mim já não existe nada que eu possa fazer num programa desses, mas para a minha filha poderia ser uma experiência importante.

 

 

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Comentários
  1. Subscrevo, faltam experiências destas nos dias de hoje 🙂 Se quiseres avançar com uma iniciativa parecida acho que se arranjam pessoas com vontade de entrar nesse projecto…

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