Serviço Militar Obrigatório

Posted: Março 16, 2012 in Cérebro - Pensamentos, Coração - Sentimentos, Ouvidos - Memórias

Ontem, dia 15 de Março, passaram 21 anos sobre o dia do meu juramento de bandeira. Tamanha foi a marca que o cumprimento do serviço militar obrigatório deixou em mim, que ainda hoje me lembro das datas. Entrei a 28 de Janeiro, fiz o juramento a 15 de Março e saí a 26 de Junho, tudo isso no ano de 1991.

A tropa foi algo do qual eu tentei esquivar-me, sem sucesso. Admito que as minhas opiniões sobre o serviço militar obrigatório eram completamente contra a sua existência, e ainda hoje defendo que a carreira militar deve ser uma opção e nunca uma obrigação, e se por qualquer motivo der por mim a defender um serviço comunitário durante um período que vá de 3 a 6 meses para cada cidadão, é porque acredito que a sociedade pode tirar benefícios disso, mas nunca confundi tal situação com a ida à tropa.

Foi uma experiência que rondou o traumático, estive durante 5 meses com a sensação de que estava preso, deprimi, emagreci, perdi vontade em respeitar qualquer tipo de hierarquia onde os elementos superiores fossem ali colocados por antiguidade, lambe-botismo e tendências sádicas. A minha tristeza aos poucos transformou-se em raiva e com o passar do tempo em completa indiferença para com aquelas pessoas. O efeito que isso teve nos meus superiores foi o de me considerarem alguém em quem o serviço militar devia apostar, alguém que segundo eles podia ser um exemplo para os outros, o ridículo da situação, era tal que eu passei a ser considerado um modelo. Eu que não me chateava com nada, não me queria envolver em nada, só queria que aquilo acabasse depressa, fui chamado quatro dias antes do juramento de bandeira ao gabinete do comandante do quartel (RIBE – Regimento de Infantaria de Beja), para ser por ele informado que no dia do juramento de bandeira, o meu nome iria chamado pelo microfone e que eu teria que aprender umas posições novas sobre como largar a arma e me dirigir de forma elegante por trás de todos os recrutas e depois pela lateral passar para a frente de todos eles e dirigir-me à tribuna, onde ele – o comandante, me iria entregar uma medalha. Imaginem o meu ar incrédulo, perguntei-lhe medalha por quê?, ao que ele me respondeu que iria receber uma medalha de mérito pessoal por ter sido o recruta com melhor comportamento (de entre 160) que entraram naquela incorporação. Retorqui que eles deveriam entregar isso a quem quisesse seguir carreira militar e não a alguém que preferia não estar ali. Isso não o demoveu e quatro dias depois lá estava eu a receber a dita medalha.Esse facto não alterou em nada a minha relação com o serviço militar obrigatório, apenas acrescentou mais força à minha noção de que tudo aquilo era um pouco fora da realidade.

Depois da recruta ainda estive dois meses em Cascais, onde tinha a vantagem de estar perto de casa e ter um canto na muralha onde me sentava a olhar o mar sem ser incomodado. O dia da alegria chegou pois a 26 de Junho.

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Comentários
  1. Gostei do seu blogue. Visitarei mais vezes. Veja lá se continua a escrever as suas reflexões 🙂

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