Eu e a Vulnerabilidade

Posted: Março 15, 2012 in Cérebro - Pensamentos, Coração - Sentimentos, Olhos - Videoclips, Ouvidos - Memórias

A vulnerabilidade é uma sensação que me visita ocasionalmente. Sem marcar hora, nem sequer avisar que veio para estar uma hora, uma tarde ou um dia inteiro, ela aparece. Normalmente recebo-a com algum desagrado, procuro dar-lhe pouca atenção, na esperança de que não se sentindo bem vinda acabe por tomar a sensata decisão de me abandonar. Mas se existe uma coisa que eu já percebi sobre ela, é que não é muito atenta a esses sinais e insinua a sua presença independentemente da forma como é recebida (acho que ela tem um perfil sádico).

Depois de vários encontros e outras tantas tentativas das quais consegui escapar, ou porque fingi não estar e ela acreditou e foi embora, ou porque entretanto chegaram outras visitas e ela, que prefere visitar-me a solo, desaparece. Arranjei forma de a ter mais ou menos controlada, primeiro certo que estou de que as razões das suas visitas são invariavelmente as mesmas desde há anos, reuni uma mão cheia de argumentos que a deixam um pouco desorientada, depois quando ela menos espera, desfiro o ataque final e admito que ela não deixa deter razão, concedo-lhe esse prazer, que é o suficiente para satisfazer a sua necessidade sádica e a partir daí ela fica mais dócil e por vezes até inverte os papeis e acaba a consolar-me.

A minha relação com a vulnerabilidade é nesta altura fruto de vários anos de experiência e muitos anos de resistência, pelo que olhando para trás não posso deixar de considerar que existe entre nós um profundo conhecimento mútuo que nos permite deixar de inventar preliminares e conversas de cortesia e passar directamente aos assunto que nos ligam. Soubesse eu tratar desta forma outras visitas menos desejadas e poderia dizer que já conquistara na vida uma sabedoria relevante, mas ainda acredito que essa altura possa chegar. Por hora vou tentando decifrar os sinais que me aparecem sob todas as formas para perceber melhor o tipo de mundo em que vivo e o tipo de pessoa que eu sou nesse mundo.

Pode parecer algo vaidoso e sem grande significado, explicar a minha relação com a vulnerabilidade, mas eu sei, e ela também sabe que é dessa tentativa de explicação que eu necessito para a conhecer melhor e para lidar com ela de uma forma mais equilibrada, impedindo-a assim de ser ela a tomar sempre a posição do master e eu do obediente servant.

A grande vantagem de uma relação paritária com a vulnerabilidade é que deixo de me sentir ameaçado por ela e passo a reconhecer nela uma possível aliada. O que não quer dizer que não fique sempre um bocado apreensivo quando ela aparece.

emotion and landscapes – state of emergency – how beautiful to be

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