A ecologia levada ao extremo.

Posted: Março 14, 2012 in Cérebro - Pensamentos, Ouvidos - Memórias, Pele - Lazer

Novas rajadas de sol deixam o meu corpo mais dormente que uma comprida estada na cama. Não resisto a vulgarizar este Verão hipócrita que se lança sobre mim como se eu o desejasse. Não o desejo e tenho até alguma indiferença para lhe devolver. Vou fechar-me em casa em frente ao computador só para provar a mim mesmo que o dispenso. Os estores ainda deixam entrar parte dos seus raios para dentro, mas a luz do monitor é mais eficaz e rapidamente os coloca em segundo plano. Se um tom sombrio me ocupa os pensamentos é porque eu não consigo acreditar nas coisas fora do seu tempo. Não sou obsessivo mas tenho uma enorme vontade de sentir as coisas organizadas. Como se a minha omnipotência fosse posta em causa cada vez que elas aparecem fora do tempo e lugar a que pertencem. Existe um tempo e espaço para tudo, frase da minha mãe que ainda hoje me enrola as emoções mas cujo efeito ficou. Agora, por minha conta, vou deixar que as estações apareçam e desapareçam quando lhes apetece? vou permitir que esse movimento delas seja exterior a mim? se o fizer para quem vão servir todas as ordenações que ao longo dos séculos foram estabelecidas? Não pode ser, não posso deixar que assim aconteça, por isso vou lutar contra este Verão, vou informar todos que ele é falso. Porventura, fruto do desvario consumista do homem, até pode ser criação do Diabo, não pode é ser benigno. Agora é tempo de o denunciar, de exibir todas as atrocidades que ele provoca, não podemos ser indiferentes à seca e à aridez que nos atinge, ele pode causar estragos terrificantes, pode até espalhar-se para zonas onde a sua presença será mortal para muitos seres, seres de todas as dimensões e hábitos, dependentes da sua ausência. O primeiro passo a dar é reconhecer que ele é fonte de vida no seu lugar e que pode ser fonte de morte fora dele, o eros e tanatos do ecossistema. Depois temos de rapidamente desocupar os carros e as motas, bem como todos os veículos que poluem, para de seguida nos dedicarmos a evitar ingerir os produtos liofilizados, a nossa dieta tem de provir directamente da terra, não podemos aceitar embalagens, os nossos detritos devem ser naturais e por isso vamos evitar  tudo o que está embalado,podemos voltar a andar de carroça para percursos pequenos, ou então de bicicleta para percursos médios e em viaturas eléctricas para percursos maiores. Os animais devem ser todos protegidos, de nós e dos malefícios ambientais que criámos, quanto ao criar para comer, parece-me bem apenas se nos contentarmos em criar o suficiente e em condições dignas, todo o excesso deve ser banido, devemos excluir dos nossos hábitos todas as tentações colectoras, as crianças devem ser educadas de forma a perceberem que se querem mais produtos e gadgets deixam de ter um planeta habitável, se não forem capazes de viver com os brinquedos artesanais podem ficar sem poder brincar. Temos de reinventar as novas associações, refundar o Homem, fazer dele parte integrante do planeta e desistir da visão antropomórfica que nos guiou desde as Luzes, avisar as sociedades que ainda aqui não chegaram que não nos devem invejar, apesar de isto não ser tarefa fácil, pois como não invejar quem tudo tem? Depois, insistiremos que o único fim para o qual devemos estar todos de acordo é a nossa preservação, tudo o resto são fenómenos fruto do egoísmo e visam apenas o bem estar de poucos. Temos de admitir que o fim está próximo se nada fizermos, que somos responsáveis pelo destino, que devemos acarinhar o que o nosso berço natural nos dá e deixar de exigir coisas que não servem para mais nada além da auto-destruição, temos de fechar as fábricas que poluem, soltar os animais dos seus cativeiros, trocar as armas por máquinas de lavrar e começar a nova época das sementeiras, depois disso o sol com certeza vai aparecer no seu tempo, e a chuva também e todos nós vamos ser muito mais felizes.

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